Três anos antes de Bangerz, a pop star tentou se distanciar da imagem de Hannah Montana. Através do falso começo da carreira adulta de Miley.
Miley Cyrus tem feito um ótimo trabalho quando o assunto é chocar as pessoas, recentemente. Primeiro, ela voltou para o mundo da música com o single We Can’t Stop e o clipe da música repleto de movimentos de hip-hop, jogos de hip-hop, referências a drogas e uma introdução forçada ao “twerk”, para quem perdeu isso uma década atrás com Lil Jon e os gêmeos Ying Yang. Para quem ainda não havia descoberto sobre a música e clipe de We Can’t Stop, houve a apresentação deMiley no VMAs, onde a cantora se vestiu escandalosamente, e também performou com Robin Thicke, fazendo muitos adultos ficarem desconfortáveis com a sexualidade agressiva no palco. E finalmente, o clipe de Wrecking Ball foi lançado, com Miley pendurada em uma bola de demolição, nua. O clipe foi tão circulado pelo mundo, que fez a cantora a atingir o #1 no Hot 100.
Para aqueles que lembram da antiga Miley Cyrus, como uma menina doce, sulista que se tornou a menininha da América com seu seriado “Hannah Montana” do Disney Channel, isso tudo foi coisa demais para digerir. De qualquer maneira, para quem vem prestando atenção em Cyrus desde que acabou seu seriado, isso tudo não é grande novidade.
O TMZ postou um vídeo de Miley fumando Salvia em 2010, em seu aniversário de 18 anos, e em 2012 o mesmo site postou fotos onde Cyrus está tirando fotos com um bolo de pênis, feito para seu ex-noivo, Liam Hemsworth. Então ela vez o filme “LOL”, onde a cantora protagonizou uma estudante do colegial que se envolve com bebidas, drogas e sexo. E depois veio a performance mais bizarra de Miley cantando “Rebel Yell” no VH1 Divas, onde ela mostrou seu novo corte de cabelo, bem curto, vestida com um couro cheio de spikes e agarrado em sua virilha. O lado “louco” deMiley Cyrus vem sido mostrado pelos últimos meses e isso não é nada novo, até porque, ela tenta tirar sua imagem de Hannah Montana desde bem antes do seu novo álbum.
O album Can’t Be Tamed foi lançado em Junho de 2010, ostensivamente em um dos pontos mais altos da carreira de Miley. Ela vinha com seu hit de 2009 Party In The U.S.A e tinha acabado de filmar a última temporada de Hannah Montana, a série que fez dela, uma super estrela. Ela ainda era uma criança, não havia nem feito 18 anos, e a maioria de seus fãs ainda eram adolescentes ou até menores. Mas já vinham tendo sinais de crescente sexualidade e de uma Miley mais adulta – contando com sua performance de Party In The U.S.A no Teen Choice Awards, onde a cantora insinuou uma dança de pole dance em cima de um carrinho de sorvete, e até antes disso, com 15 anos, posou nua para a Vanity Fair, obviamente não aparecendo nenhuma parte íntima da cantora, mas ainda sim, em uma pose familiar com seu pai, Billy Ray, fazendo os fãs de Hannah Montana ficarem desconfortáveis com a situação.
O vídeo da faixa-título e primeiro single de Can’t Be Tamed parecia na época para ser o começo de tudo isso para Miley, e foi o ponto oficial para romper sua imagem de adolescente ficha limpa com uma tentativa de ser levada a sério como uma artista pop adulta. O clipe, com a Miley enjaulada em exposição em um museu de arte, era como um cruzamento entre Britney Spears “I’m a Slave 4 U” e “Paparazzi”, de Lady Gaga, com Miley vestida com roupa preta (e em algumas cenas um espartilho), dançando provocativamente com dançarinos de ambos os sexos, e as asas, literalmente brotando para tentar escapar da gaiola que ela foi colocada dentro.
O vídeo foi surpreendente, mas talvez nem tão chocante. Cyrus parecia estar em um molde de quebra de tabu no vídeo, mas ela não chega a ter a coragem de suas convicções ainda. Os momentos marcantes são apresentados em cortes rápidos que deixam de causar uma boa impressão, e Miley, ainda está com cara de bebê e um pouco insegura em relação a sua imagem –no vídeo de Can’t Be Tamed com Mileyde cabelos escuros e maquiagem preta é praticamente impossível reconhecer a adolescente nova, que canta músicas pop e que está no colegial – ela parece querer rebelar-se sem saber muito bem o porque. Tenebrosas imagens do museu, incluindo a introdução de Miley como a espécie “Avis Cyrus”, aparecem bem marcantes, mas no final acaba incoerente e muito confuso para fazermos qualquer tipo de comentário forte.
O álbum Can’t Be Tamed encontra-se em um tipo semelhante de limbo, no qualCyrus claramente quer dissociar-se de Hannah Montana, mas não parece ter uma forte ideia de para onde ir em seguida. Ela tenta fazer isso com diferentes “identidades” – a faixa de abertura do álbum “Liberty Walk” tenta alcançar um estilo de Gaga, enquanto o arrogante, rap de “Permanent December” é quase comicamente uma Ke$ha – mas não são praticamente iguais. Enquanto isso, suas tentativas de ser uma cantora/compositora mais madura – nos hinos de amor“Forgiveness and Love” e “My Heart Beats for Love”, este último supostamente inspirado pelo cabeleireiro Miley, ou sua balada clássica com veneno “Every Rose Has Its Thorn “- uma queda plana, como qualquer número de canções de adolescentes cuja artística excede temporariamente seu alcance.
Um apelo mais notável para fugir no álbum Can’t Be Tamed do que a faixa-título poderia ter sido “Robot”, encontrada enterrada dentro da segunda metade do álbum., A música ainda penetra com o seu coro de gritos “Pare de tentar viver minha vida por mim / Eu preciso respirar, eu sou não o seu robô / Pare de me dizer que eu sou parte dessa grande máquina / Eu estou me libertando, você não pode ver?” Desta vez, a rebelião parece proposital, e versos como “Fique aqui, venda isso e promova sua marca” e “Eu fui ensinada a pensar que o que eu sinto não importa em tudo” mostra afrustação reprimida de estar no centro do império de TV da Disney após meia década, incrivelmente clara.
Que Miley iria decidir fazer uma pausa da música após Can’t Be Tamed quevendeu apenas 348 mil cópias até a data, de acordo com a Nielsen SoundScan, não foi nenhuma surpresa. Em uma entrevista no final 2009 para a MTV, ela referiu-se ao próximo “Tamed” como seu “último álbum pop”, dizendo: “Eu meio que quero que este seja meu último disco por um tempo e quero ser capaz de fazer uma pausa para conhecer todos os tipos de música que eu realmente amo… em poucos anos, quando eu crescer, assim como os meus fãs, eu não vou ter que focar tanto nisso.”Poucos meses depois, ela ainda falou sobre seu futuro intervalo, explicando que ela não estava realmente sentindo sua música em “Tamed”, dizendo: “Quanto mais eu faço músicas que não me inspiram verdadeiramente, mais eu me sinto como se eu não me misturasse com os outros.”
Em uma última análise, esta é a principal diferença entre Can’t Be Tamed e We Can’t Stop, entre a Miley de 2010 e a Miley de 2013. Há três anos, ela queria que soubéssemos que ela estava se libertando de sua antiga imagem, mas ela não tinha plano de verdade ainda. – apenas um monte de imagem e música significantes emprestados de seus antecessores pops. Agora, com We Can’t Stop, Wrecking Ball e tudo o mais que tem sido parte da experiência recente de Miley Cyrus, ela está sendo igualmente rebelde, mas agora sente-se firmemente no controle de sua música e sua imagem, ela mesma se representa em uma forma exclusiva dela. Você pode não concordar com o local onde ela vai, mas pelo menos parece saber como chegar lá, e ela vai continuar a espalhar confortavelmente suas (agora apenas metafórico) asas com ou sem a sua aprovação.
Fonte: Billboard | Tradução: MCyrus.com

